o que importa?

8.10.15

Quando acontece alguma merda na nossa vida ou na vida de alguém muito próximo, isso sempre nos afeta de alguma forma, né? Os últimos dias - desde sexta-feira pra ser mais exata - têm sido bem complicados. Minha mãe sofreu um assalto à mão armada aqui pertinho de casa, que não teve agressão física, mas teve aquele trauma de ter um marginal apontando uma arma na cabeça e ameaçando atirar. Pois é. E desde esse dia tenho pensado o quanto viver em São Paulo (ou melhor: viver) é uma roleta russa. A gente pode passar todos os dias pelo mesmo lugar, a gente pode conhecer cada esquina e desviar dos lugares que sabemos não serem seguros, mas um dia a gente pode apenas não ter sorte e sofrer por isso.

Apesar disso tudo e de alguns prejuízos (o carro estava no seguro, ainda bem) o assalto não foi a pior parte. Por nervoso e por outros problemas de saúde, minha mãe tem passado mal nos últimos dias, hoje mesmo passei o dia inteiro no hospital acompanhando ela, e que bosta que é isso. Agora já tá tudo mais calmo e talvez esse não seja o assunto mais legal do mundo pra falar, mas partindo do principio de que isso aqui é um blog pessoal (que agora leva meu nome na url, cês viram?) e que todas essas tretas me fizeram pensar em várias coisas importantes sobre minha vida e sobre meus próximos passos, resolvi criar esse post.

Uma amiga minha compartilhou no facebook esse link aqui com a histórinha de um jarro de vidro, que é bem boba, mas faz todo sentido. Ela fala sobre conceitos de prioridades na vida, como se o jarro fosse a gente e dentro dele fossemos colocando coisas importantes (ou não) da nossa vida. Se a gente encher ele com coisas pequenas e sem grande importância, como pequenas preocupações e ansiedades (ao invés de colocar as coisas maiores e mais importantes primeiro) ficamos sem espaço pro que realmente é relevante -e é assim que me sinto muitas vezes- cheia de preocupações, medos e angústias idiotas.

Já perdi muitas noites sofrendo por antecipação, por coisas pequenas e por ser ansiosa. Ou me culpei por coisas do passado (ou por coisas do presente mesmo). Já faz um tempinho que não venho dando tanta bola pra minha saúde e me cuidando direitinho (coisa que deveria fazer devido ao histórico familiar). Ou aquela gente que tenho aturado pra evitar climão -sabe o tipo de pessoa que você sabe, e principalmente sente- que não deveria estar na sua lista de amigos do facebook (no seu feed do instagram, na sua vida offline) mas mantém lá pra evitar intriguinhas? Ou como me sinto mal por procrastinar tanto e acabo sempre me odiando por isso. Todas essas coisas são como a areia ou o café que foram ilustrados na história do pote, coisas que são do dia a dia, em sua maioria irrelevantes, mas que vão ficando ali acumuladas e ocupando espaço na minha cabeça. Tá na hora de aprender a filtrar (e resolver) tudo isso pra ficar mais espaço livre pro que realmente importa.


© coffee & flowers POR KARINE BRITTO