Meu primeiro job foi um estágio na área de arquitetura (que de 6 horas por dia não tinha nada). Depois de 11 meses nele, consegui outro pra ganhar mai$, e sai sem pensar. Nesse eu comecei a viver uma não-vida de acordar as 5 da manhã pra ir pro "estágio" e chegar em casa uma hora da manhã depois da faculdade (um beijo pra maravilhosa mobilidade urbana de São Paulo). Um ano nesse lugar e meu cabelo começou a cair loucamente, estava em um dos semestres mais difíceis da faculdade, mas mesmo assim estava lá: dormindo 4 horas por noite (ou menos) e andando como um zumbi por aí. Todo mundo que me conhecia e sabia do meu dia-a-dia soltava o mesmo "não sei como você aguenta essa rotina" e nem eu sabia, mas tava lá. 

Depois disso, uma amiga me indicou pra outro estágio que era mais perto de casa, e nele eu fiquei e fui ficando (até agora). Foram 2 anos e meio como estagiaria, usando os dias de férias pra fazer tcc (pegando uma semana aqui e outra ali), e quando tudo acabou (grazadeus), finalmente sai da vida de stagy e vi que na verdade nada tinha mudado. O salário aumentou sim, mas aí vieram os descontos na carteira. O horário de trabalho era o mesmo, o trabalho era o mesmo. O que mudou foi a preocupação das pessoas, que antes perguntavam "quando eu iria terminar a faculdade" pra nova pergunta sobre "quando eu iria começar uma pós". Dava vontade (e ainda dá) de rir, sério. 

Foi aí que eu vi que tava tudo errado, que eu não tava feliz, que eu precisava organizar as coisas. Comecei com planos de fazer uma viagem longa, depois de fazer um intercambio, depois vi que não era nada disso e que eu precisava finalizar todas as pendencias que fui arrastando na época da faculdade. Criei uma planilha enorme, com 18 abas no excel, me obriguei a depositar uma quantia enorme do meu salário na poupança todo o mês, e assim eu segui vivendo todo esse tempo. Quando tudo se organizou e consegui fazer boa parte do que precisava, tirei aquele um mês de férias que nunca tinha tido nesses 6 anos trabalhando e obviamente pensei que fosse me dar um gás pra voltar mais inspirada e motivada, até parece.

CERTAMENTE EUZINHA

Desde que voltei eu vi que não dava mais mesmo e que era um caminho sem volta. Já tava com data marcada pra pedir demissão (afinal, minha vida tava organizada mesmo, poderia lidar com isso), mesmo sabendo que iria perder boa parte dos meus direitos. Até que o RH me copiou em um e-mail por engano, e adivinhem quem iria entrar pra dança do desemprego? Isso mesmo. Apesar de ficar meio bolada na hora, tudo se acertou quando conversei com minha chefe, que apesar da minha desmotivação estampada na cara, deixou bem claro que não era comigo o problema e sim com a "crise". Hoje eu assinei o aviso, tá mais foda do que nunca vir pro trabalho desde que eu soube, mas okay, tá acabando e to tentando levar (mesmo mais cansada do que nunca, mais do que na época que eu só dormia 4 horas por noite).

É a primeira vez que vou virar um ano sem saber o que vai ser da minha vida ~trabalhística no ano seguinte (e isso certamente me dá um medo desgraçado), mas tudo bem, é a vida. O importante é que por mais que as coisas deem errado, se a gente para pra organizar tudo (em uma planilha de 18 meses no excel) e não desiste, elas acabam dando meio que certo, né? Mesmo que seja com seus amigos te dando parabéns pela demissão (e não por zueira, e sim porque realmente ficaram felizes por mim).

Queria só dar um pulinho em 2016 pra dar uma olhadinha no que vai ser, como que faz?

Antes de resolver escrever esse post meio louco, tinha resolvido dar uma pausa no blog e só voltar em janeiro (0% de motivação pra postar e acompanhar os blogs das migas), mas não quero desistir do 52 weeks (que tá atrasado, aliás). Então vamos ver o que vai ser dessa semana. Cade aqueles famigerados 3F's do foco força e fé quando a gente precisa? =*

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