Esse foi nosso último passeio antes de seguir pro Salar de Uyuni.
E foi o dia premiado pra começar a sessão de terremotos no Chile.
Senta que lá vem textão.

Como haviam nos falado que passariam entre 5h00 ~ 5h30 não queríamos nos atrasar, acordamos as 4 da manhã, colocamos as 50 camadas de roupa (a previsão era de -10 graus) e esperamos a van. Em todos os passeios anteriores nós fomos os primeiros a serem pegos, mas justamente nesse dia fomos uns dos últimos (e adivinhem, atrasaram!). Como já havia falado nesse post, no Atacama as agências trabalham em conjunto, pois fazem quase todos os passeios diariamente e nem sempre conseguem um número determinado de pessoas pra todos eles. Então é bem possível que você feche um passeio com uma agência e vá com outra (nesse dia foi isso que aconteceu).

Era um ônibus com cerca de 20 pessoas (e bem apertado). Quando chegaram no hostel pra nos buscar eu e o Di já estávamos bem irritados porque já eram quase 6 da manhã e tínhamos acordado bem cedo a toa. Ainda estava escuro quando saímos e na estrada dava pra ver aquele céu lindo e estrelado, acabei pegando no sono e acordando várias vezes, tive a impressão que demorou séculos pra chegar no passeio, haha.

Quando chegamos o nosso guia super louco começou a falar sobre os geiseres, e antes de descer do ônibus a surpresa: o vidro havia CONGELADO! Eu fui com uma meia calça de lã, uma calça quente ~tipo~ de moleton, uma camiseta, minha camisa de flanela por cima, mais uma blusa de moletom e minha jaquetona por cima, nos pés coloquei ainda minha meia pra esquiar (que é bem, BEM grossa) e o coturno. Mais a touca, luvas e cachecol. Quando desci do ônibus eu quase comecei a chorar de tão frio que estava! Hahahaha. Sentia como se meu rosto estivesse cortando, nunca passei tanto frio na vida. Os geiseres estão em uma altitude de 4.300m do nível do mar, o sol ainda não tinha nascido, ventava demais e lá marcava -10 graus. Foi louco.


Esse foi mais um passeio em que a natureza me deu um tapa na cara (e acho que falei isso em todos os posts porque é bem esse o sentimento). Ver todos aqueles geiseres em atividade, naquele lugar tão frio. A água calma que começava a borbulhar e depois o vapor, muito vapor. Alguns alcançavam mais de 10m de altura. Esse fenômeno acontece por causa do contato da água com a rocha vulcânica quente, a maioria dos geyseres existentes ficam na Islândia (inclusive vem de lá a origem da palavra geysers, que significa algo como "jorrar"), mas no Chile e na Bolívia também conseguimos encontrar essa preciosidade em atividade devido a quantidade enorme de vulcões que existem por lá.


Ficamos um bom tempo andando com o guia e tirando fotos dentro do campo geotérmico, alguns caminhos eram livres, outros eram delimitados (perto dos geiseres mais perigosos). Há uma lenda que uma pessoa já caiu dentro de um geiser durante um passeio e acabou morrendo (a temperatura deles pode chegar até 200 graus e eu que não vou duvidar). Depois disso fomos para o ônibus, nosso guia preparou um café da manhã e eu mal conseguia ficar sem a luva pra comer, ainda estava com a cara congelada, não sentia meus pés de tão gelados, mas nessa hora o sol começou finalmente a nascer e a temperatura começou a subir. Depois do café todos entraram no ônibus e seguimos pra para seguinte, que é na parte aonde fica a piscina com água termal.


Acabei não entrando na terma (e ainda esqueci de tirar fotos dela), eu estava com muita dor de garganta e gripada (como disse no último post) e no dia seguinte seguiria pro Salar, então minha preocupação era melhorar pra não ter problemas durante a viagem pra lá, haha (e também faltou coragem pra tirar todas as roupas que eu estava usando naquele frio absurdo). Coloquei só as mãos e fiquei aquecendo meus pés na fumacinha que saia nas bordas dela (detalhe para o estado do meu coturno), depois demos uma volta pra ver e fotografar os outros geiseres e a paisagem. Ficamos cerca de uma hora por lá e depois seguimos em direção ao povoado de Machuca.


O Pueblo de Machuca é um povoado de pastores de Lhamas e bem bem bem pequeno, com algumas poucas casinhas feitas de adobe e telhado de palha. Há uma igrejinha (como em todos os povoados) e pelo que soube ele é mantido pelo governo. No caminho até ele vimos Lhamas, Vicunhas e Viscatias pelo caminho (as Viscatias parecem coelhinhos, consegui fotografar de pertinho lá na Bolívia, muito amor! Depois coloco a foto aqui, haha).

Demos uma volta de 5 minutos pra ver as casinhas e a igreja, depois fomos comer. Nosso guia havia falado sobre os espetinhos de Lhama (que não tive coragem de comer naquele dia, mas acabei comendo na Bolívia) e sobre a empanada de queijo (que era maravilhosa). Ficamos cerca de 30 ~40 minutos por lá e depois seguimos pra cidade de San Pedro, chegamos por volta de meio dia.


Eu já estava toda saudosista nesse dia por ser o último em San Pedro, chegamos no hostel, tomamos banho, arrumamos as malas mais ou menos pra partida do dia seguinte e fomos dar uma volta pela cidade. Trocamos pesos por bolivianos, fomos no mercado, farmácia, tomamos sorvete, andamos mais, fomos na praça, sentamos, brincamos com os cachorros, gatos, e aí começou uma ventania louca! Era terra voando pra tudo quanto é lado. Como mostrei nesse post a Calle Caracolles estava toda decorada com bandeirinhas por causa das festas da pátria. Uma boa parte delas acabaram soltando por causa da ventania. Lembro que comentei com meu amigo: "que coisa louca todo esse vento, não estava assim antes, né?".


Ficou impossível continuar andando na rua comendo terra, decidimos ir pro Barros (o melhor bar/restaurante de lá), pedimos uma lasanha maravilhosa e quando estávamos terminando de comer eu senti um ~negócio estranho~. Sabe a sensação de quando você fica tonta ou está meio bêbada e parece que vai cair? Foi tipo isso, mas estávamos sentados. Bem nessa hora meu amigo tinha deixado cair o talher dele e abaixou pra pegar, no meio dessa sensação eu senti a mesa balançando e pensei que ele tinha empurrado, soltei um: "eeee Diogo, vai devagar ai", mas quando olhei pros lados todo mundo estava no "modo estátua", hahaha. Não foi ele quem balançou a mesa, tava rolando um terremoto! Olhamos pro lustre e ele indo de um lado pro outro e eu só conseguia pensar: PQP!!!!!!!!

O tremor parou, mas em seguida começou novamente só que um pouco mais leve. Todo mundo no Barros começou a conversar sobre isso, mas sem saber bem o que fazer. Saímos de lá e fomos buscar umas roupas que eu tinha mandado pra lavanderia no dia anterior, a mulher que nos atendeu estava com a TV ligada e falou que há mais de um ano não acontecia terremoto tão forte em San Pedro, mas que em Santiago havia sido pior.

De lá nós fomos pro hostel e era só esse o assunto. Duas brasileiras que havíamos conhecido no hostel estavam deitadas e uma pensou que a outra estava balançando a beliche na hora, só souberam que era terremoto quando falamos, hahahahaha. Aí rolou aquele medinho por saber que em Santiago estava pior, pelo alerta de tsunami - que por mais que fosse impossível uma tsunami atingir a gente, no dia seguinte nós iríamos pro Salar e durante QUATRO DIAS ficaríamos sem noticia nenhuma do mundo. Nessa hora deu uma vontade imensa de desistir de ir pra lá e ficar no Atacama (alou ansiedade), mas já estava pago e era meu destino dos sonhos. Mandamos mensagens pra família avisando que estava tudo bem, explicando que estávamos bem longe das coisas que estavam acontecendo, e principalmente avisando que ficaríamos incomunicáveis por alguns dias.

Depois ficamos no hostel conversando com o pessoal, não rolou dormir nessa noite e as 7 da manhã do outro dia seguimos viagem. Depois desse dia continuaram acontecendo tremores pelo Chile, só que não sentimos nada na Bolívia. Quando estávamos no aeroporto de Santiago esperando o vôo pra São Paulo começou um tremor mais forte, igual o que havíamos sentido no Atacama, na hora pensei que: AGORA SIM FUDEU! Mas foi só aquilo, não teve mais nada e conseguimos pegar o vôo de boas algumas horas depois.

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Esse relato ficou ainda maior do que os outros sobre a viagem, mas por motivos especiais de: vivendo com emoção, HAHAHAHA. Espero que tenham gostado! Pra conferir os antigos sobre a viagem só ver a tag desertos :)
BEIJOS

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