Como disse no último post, esse ainda faz parte do segundo dia a caminho do Salar de Uyuni, porque vimos tantas coisas que não deu pra fazer tudo em um post só, hahaha. Depois da nossa rápida parada na Laguna Ramadita, seguimos para a próxima (e mais surpreendente) do dia: a Laguna Hedionda. Além da água cheia de Flamingos, outra coisa que me surpreendeu DEMAIS ali foi a plaquinha escrito WI-FI. Tipo: como assim wi-fi no meio do nada? GENTE? Fiquei tentada a pagar pra usar (pra falar com a família e ter notícias do terremoto), mas tinha um valor absurdo (nem lembro quanto) pra usar cerca de 20 minutos, aí desisti.


Tão surreal a paisagem dessa laguna, que na hora de editar as fotos tive aquele sentimento de: ~nem acredito que eu estive nesse lugar, e que tirei essas fotos~ hahaha. Um detalhe sobre essa viagem para o Salar é que: como estava morrendo de medo de ficar sem bateria pra fazer fotos (já que haviam nos falado que em nenhum lugar conseguiríamos recarregar as coisas), eu revesei bem os equipamentos nos dois primeiro dias. No primeiro usei só a câmera (que não tenho bateria extra e estava morrendo de medo que acabasse) e deixei o celular desligado, no segundo (esse) usei o celular em 90% das fotos, até descobrir que passaríamos a noite em Uyuni e teríamos eletricidade AND wi-fi \o/ (mais sobre esse plot twist da vida no final do post, haha). Também levei minha gopro, mas pra falar bem a verdade, depois que comecei a usar DSLR eu bodiei dela, porque o resultado da foto é absurdamente diferente. Tanto que a usei todos os dias  nessa viagem, mas são poucas as fotos que gostei (e postei) que foram tiradas com ela.


Saímos da Hedionda e seguimos em direção a Laguna Cañapa, foi uma parada rápida (quase não tive coragem de sair do carro, haha) e coloquei um pedacinho dela ali em cima. Depois chegamos na "última" para do dia, um mirador cheio de pedras e vegetação, com uma vista maravilhosa de todo aquele lugar. De lá fomos finalmente almoçar, já mortos de fome e com dor de cabeça. Rodamos bastante de carro até chegar na Villa Alota, um pequeno pueblo com poucos habitantes. Ali já vimos que a paisagem seria bem diferente no restante do trajeto: com estradas, caminhões passando, e pequenas vilinhas com algumas casas.

Em toda a viagem, esse foi o único dia que acabei comendo carne de Lhama. Tinha evitado nos outros dias - não por ser vegetariana - mas por me sentir meio mal com isso (não sei explicar, haha), mas no almoço essa era a única opção, além da salada e arroz, então acabei comendo (pra mim o gosto é o mesmo que o da carne bovina). Esse alojamento que almoçamos foi o mesmo que ficamos um dia depois, na volta. Foi o mais simples e menos limpo que passamos, mas ninguém teve problemas com isso.


No trajeto ~convencional~ do segundo para o terceiro dia as pessoas dormem em um hotel de sal dentro do Salar de Uyuni, mas o Mário nos deu outra opção: irmos para a cidade de Uyuni e dormir em um hotel de verdade (!!!) com eletricidade, chuveiro e tudo mais, porque nos hotéis de sal os banhos quentes nem sempre são garantidos. Essa possibilidade surgiu porque a Colque tem parceria com esse hotel em Uyuni, então lá conseguiríamos escolher nossos quartos, ter mais conforto e conhecer a cidade, sem pagar mais nada a mais por isso. Concordamos e deixamos combinado que no dia seguinte passaríamos em um hotel de sal apenas pra conhecer e fotografar. Então, depois do almoço nós seguimos para nosso novo destino :)


Detalhe pra essa última foto: pensei que isso fosse um pacote nas costas da chola, mas depois reparei que era uma criança. Chegamos na cidade de Uyuni no final da tarde, o Mário nos deixou no hotel (que era super, super, simples, mas ainda assim muito superior do que os alojamentos que ficamos no outro dia), avisou que o jantar seria servido as 9 da noite e que no dia seguinte ele passaria as 5 da manhã para nos buscar, pois iríamos ver o sol nascer no Salar. Chegamos nos nossos respectivos quartos, já fomos logo atrás das tomadas para carregar os celulares/câmeras e depois, na hora de ir para o banho, a surpresa: estava sem água. Descemos para falar com as moças da recepção, que nos disseram que a bomba estava com problema, mas que até antes do jantar isso seria resolvido, então decidimos dar uma volta pela cidade enquanto isso. Lembro que estávamos todos sujos com terra pelo corpo e onde nós passávamos ficavam olhando pra nossa cara, hahah.


Como nós havíamos nos acostumados com a cidade super pequenininha de San Pedro, até nos assustamos em Uyuni. Uma cidade bem maior, com muitos carros pelas ruas, mercadões, comércio bem ativo e etc. Andamos bastante por lá, entramos em lojinhas, vimos muitas cholas - que em 99% das vezes faziam uma cara não muito amistosa pra gente, visitamos o mercadão (rapidamente, porque tinha um cheiro muito forte de carne crua exposta) e depois voltamos pata o hotel. Não achamos as pessoas em Uyuni tão receptivas quanto no Atacama, mas acho que isso é uma coisa normal, porque embora as duas cidades tenham como ponto alto o turismo, no Atacama dá pra perceber que a maioria das pessoas que moram lá trabalham com isso (em agências, hostel, restaurante). Já em Uyuni achamos que a vida acontece além do turismo - ou pelo menos foi essa impressão que tivemos. O fato é: tirar foto das cholas só escondido, ou vai ganhar uma cara feia e quem sabe até uma reclamação, haha.


Depois voltamos para o hotel, estávamos nos quartos do último andar e aproveitamos para ir até a cobertura ter uma vista da cidade. A água ainda não tinha voltado lá, mas nos outros andares sim, então nos mudaram de quartos (aparentemente o hotel estava vazio, haha). Conseguimos tomar banho, carregar as coisas, usar o wi-fi, tinha até tv a cabo lá (ficamos assistindo um masterchef júnior em espanhol), depois jantamos e voltamos para o quarto, já que no dia seguinte acordaríamos as 4h30. Mesmo assim não conseguimos dormir cedo, a madrugada chegou e no meu celular marcava -19 graus (mas juro que não parecia que estava todo esse frio), dormi um pouco e em seguida já acordei com o despertador.

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Nem acredito que os posts da viagem já estão acabando, quando comecei a escrever parecia que ia demorar uma eternidade (mas se for considerar que comecei no final de setembro, é quase isso mesmo). O próximo é com nossa final chegada ao Salar de Uyuni :)

Pra conferir os antigos sobre a viagem só ver a tag desertos.
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