o cemitério de trens em uyuni e a volta para o atacama

19.12.16



A gente nota que uma pessoa não sabe ser sucinta quando ela precisa de QUINZE posts pra falar tudo que aconteceu em uma viagem, né? Pois é. Mais de um ano depois, finalmente chegou o dia em que vou falar que: esse é o último post contando histórias sobre minha viagem pro Atacama + Salar de Uyuni. Vou sentir saudades? Vou sim. Mas ainda tenho um vídeo pra editar (ou pelo menos tentar) e postar aqui com um resumo geral. Falar sobre a viagem por aqui esse tempo todo foi muito legal, fico feliz em como minha memória funciona pra lembrar de coisas legais que vivi, porque pra qualquer outra coisa ela é 200% bugada. Chega de enrolar, hoje vou falar sobre nossa ida até o cemitério de trens em Uyuni + nossa volta para o Atacama.

KARINE BRITTO FOTOGRAFIA | instagram.com/kbrittoz
KARINE BRITTO FOTOGRAFIA | instagram.com/kbrittoz

Como falei nos posts anteriores, nosso terceiro dia começou com um nascer do sol maravilhoso no Salar de Uyuni + visita à Ilha de Cactus, seguida pela visita ao hotel de sal + fotos com as bandeiras + fotos em perspectiva, e terminou aqui: com a visita ao cemitério de trens, que fica do ladinho da cidade de Uyuni. Eu não sei explicar bem esse lugar. É decadente mas ao mesmo tempo bonito, uma coisa meio louca e inexplicável. 


Há muitos boatos sobre o fim das atividades dessa ferrovia, lembro que o Mário (nosso guia) falou que ela chegou ao fim porque os minérios que eram extraídos ficaram escassos - e como a ferrovia funcionava pra levá-los de Uyuni até Antofagasta, ela acabou sendo abandonada com o tempo. Há histórias também de que os Índios Aimarás atacavam e destruíam as composições, pois acreditavam que o progresso da região iria destruí-la. Além da história de que tudo chegou ao fim por causa da Grande Crise de 1929, que afetou todo o mundo - além da perda do território para o Chile.


O fato é que essa ferrovia abandonada e com cara de assombrada acabou virando um ponto turístico em Uyuni, e está inclusa nesse tour de 4 dias que fizemos até o Salar. Depois de tirar algumas fotos aí, voltamos para o hotel na cidade, tomamos banho, almoçamos e ficamos esperando nosso carro. Nossa volta para o Atacama começou às 17h00. Por volta das 21h00 estávamos no alojamento onde iríamos passar a noite, que foi o mesmo onde almoçamos no segundo dia. Ele é BEM simples e foi a estadia piorzinha que tivemos. A janta foi bem contadinha: poucas salsichas e purê de batata. Um cházinho depois, nada de banho, banheiro bem precário e iluminado só com a lanterninha, cama meio empoeirada e etc. Apesar disso tudo, eu capotei porque estava MUITO cansada. Acordamos às 4 da madrugada, levamos as malas pro carro e nos arrumamos pra seguir viagem. Nessa hora vi o céu estrelado MAIS BONITO DA MINHA VIDA, mais do que esse que vimos no Atacama, mas como estávamos saindo não tive tempo de tirar foto, então ele ficou só aqui na minha memória.


Chegamos na fronteira por volta das 10 da manhã (são 3 dias indo até o salar, e poucas horas pra voltar, reparem) tomamos café da manhã e usamos o banheiro de um restaurante bem simples que fica lá perto, esse restaurante -que na real é mais um refeitório- funciona meio como os alojamentos que paramos. De lá fomos pra fila da imigração, com os passaportes e papéis necessários em mãos, e aí começou o momento da tentativa de golpe.

Na entrada da Bolívia eles nos entregam um papel que deve ser apresentado na saída, caso você perca esse papel, é necessário pagar 300 bolivianos. A mocinha que estava um pouco mais na frente na fila era canadense e saiu revoltada de lá. Eu entendi por cima o que ela estava falando e fui perguntar, descobri que o cara da imigração tinha cobrado pra carimbar o passaporte dela com a saída da Bolívia. Perguntei se ela tinha perdido o papel que deram na entrada, ela disse que não, aí eu fiquei puta da minha cara. Tentei explicar que ela não tinha que ter pago, mas ela tava nervosa, acabou indo embora e deixando por isso mesmo. 

Quando chegou na minha vez, entreguei todos os papéis e fiquei só no aguardo. Pois bem, o golpista lá também me pediu 300 pesos bolivianos. Eu, boa brasileira que sou, mandei um: "olha queridinho (mentira essa parte), não perdi o papel de entrada no país, não tenho que pagar nada" - ele olhou pra minha cara (enquanto eu pensava: que merda que eu fiz, vão me matar e vender meus órgãos), carimbou o meu passaporte e me devolveu. Assim, facilmente, sem falar um A. Saí de lá com cara de vitoriosa e gritando na fila que não era pra ninguém pagar propina, HAHA. Foi assim que acabei com a alegria da imigração boliviana, pelo menos naquele dia. 

De lá encontramos o nosso motorista chileno, que já estava nos aguardando e voltamos para o Atacama. Chegamos lá por volta de meio dia, fomos no hostel tomar banho, carregar os eletrônicos e pegar as roupas que tínhamos deixado por lá. Depois demos uma volta por San Pedro, fizemos compras pra torrar os pesos chilenos que ainda estavam na carteira, fomos atrás de notícias sobre o terremoto e voltamos no hostel pra esperar nosso transfer, que nos pegou por volta das 20h00. 

Era o fim de um feriado chileno e o aeroporto de Calama estava lotadaço, chegamos em Santiago por volta das 2 da manhã, mas nosso vôo pra São Paulo só saia as 7h00. Ficamos lá esperando, conversando, meio dormindo, usando o wifi alheio, até que TEVE OUTRO TREMOR. Foi bem mais leve que o primeiro, obviamente, mas ver as tvs do aeroporto tremendo, as mesas, cadeiras, tudo... foi bem assustador (no primeiro a gente tava no meio do deserto, sem muito o que cair na nossa cabeça). Já pensei que talvez a gente não fosse conseguir voltar pra São Paulo naquele dia, mas no final só foi aquilo mesmo e ficou tudo bem. Amém. Voltei capotada no vôo pra SP, o Di disse que rolou uma turbulência louca em algum momento, mas ainda bem que eu estava dormindo XD

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Obrigada todo mundo que acompanhou minhas histórias sobre essa trip cheia de emoções por aqui <3 pra ver todos os posts dessa ~aventura só ir na tag DESERTOS. Agora acabou, só que marromenos, já que ainda vai rolar um videozinho! HAHA
BEIJOS

© coffee & flowers POR KARINE BRITTO