o melhor de mim

10.8.17

coffee & flowers blog / o melhor de mim

Quando era pequena, lembro da minha mãe trabalhando como modelista no centro de São Paulo e estudando moda no período da noite. Nos finais de semana, quando ela fazia as lições do cursoeu ficava observando e rabiscando algumas coisas também, adorava o fato dela ter mais caixas com lápis de cor da Faber Castel do que eu (e alguns ainda eram aquarelados). Não demorou muito para que eu aprendesse a desenhar modelos e peças só de observá-la, o que resultou em pastas e mais pastas com desenhos de moda feitos por mim, criando peças que eu tirei da minha cabeça ou de alguma revista 'Manequim' da época (essa habilidade me foi útil recentemente, quando desenhei pra minha mãe como queria o meu vestido de formatura da faculdade). Até que deixei isso de lado e passei a me interessar por pintura em tecido. Uma vizinha começou a me dar aulas, e lá vamos nós, desenhando e pintando panos de prato. Não que minhas pinturas fossem as melhores do mundo (afinal, eu era uma criança de 9 ou 10 anos) mas eu era bastante elogiada por conseguir absorver técnicas de forma rápida, nessa época criei muitos panos de prato novos para a mamãe (além de presentear algumas pessoas com eles também). Até que cansei das aulas e foquei em coisas mais importantes da infância, como: correr pelo prédio fingindo ser a Power Ranger amarela e jogar Nintendo. 

Alguns anos depois, quando já estava na adolescência e momento da vida onde todo mundo pergunta 'o que você vai ser quando crescer', eu já tinha pensado e descartado muitas opções. Quis trabalhar com moda por causa da minha mãe. Quis ser veterinária quando ganhei meu primeiro cachorro, mas desisti quando o poodle da vizinha caiu do terceiro andar e precisou amputar a pata. Isso me fez perceber que eu jamais conseguiria trabalhar com qualquer coisa que envolvesse o sofrimento de animais ou pessoas, descartando medicina e enfermagem da lista de 'possíveis futuras profissões' também. Depois quis ser web designer, por causa dos primeiros blogs que tive, onde me aventurava personalizando meus layouts com muito rosa e glitter. Lembro que cheguei até a mostrar algum dos blogs para o professor de um curso de informática que fiz (com uns 12 ou 13 anos) e ele falou que eu deveria trabalhar com isso, já que levava o tal 'jeito com a coisa'. Depois veio a era da fotografia digital, lembro que uma amiga minha comprou uma DSLR da Nikon que me deixou fascinada, fotografei com aquela câmera algumas vezes (no modo automático mesmo) e comecei a sonhar em trabalhar com isso. Sonho que foi logo deixado de lado. Naquela época eu jamais conseguiria comprar uma câmera ~profissional.


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Aos 16 eu fiz um teste vocacional e o resultado dele não me deu direção nenhuma, a resposta foi: "você pode fazer qualquer coisa que quiser, porque tem aptidão para várias áreas, você só precisa escolher uma e se dedicar que vai se sair bem". Até hoje eu penso nesse teste como o mundo sendo jogado nas minhas costas. Como assim eu posso fazer o que eu quiser e a responsabilidade daquilo dar certo ou não é inteiramente minha? Por que eu não posso ser 'normal' e ter um pézinho em uma área especifica? Focando naquilo como se estivesse seguindo um chamado? Acabei indo para exatas, cursando Edificações. Depois fui pra Arquitetura & Urbanismo, onde trabalhei por alguns anos. E agora tô aqui escrevendo nesse blog, que não fala de nenhuma dessa duas áreas onde tenho formação e indiretamente me levou de volta para a área da fotografia, meu amor de 10 anos atrás (ou mais) novamenteE onde está o melhor de mim nessa história toda? Se você pensou que eu fosse responder 'na fotografia', errou. Quando eu paro pra pensar em toda essa trajetória, eu penso em quanto esse maldito teste estava certo. Não importa qual área seja (vamos excluir química dessa história) uma das melhores coisas que eu consigo ver em mim mesma é a minha facilidade em aprender. E olha que eu não consigo ver muitas coisas boas em mim mesma, já que vivo apontando meus defeitos em primeiro lugar (trabalhar a autoestima: precisamos).

Consigo desenvolver bem qualquer assunto que eu me interesse. Foi assim no passado, quando eu era uma pequena Karine de humanas que gostava de desenhar e pintar. Foi assim durante os cursos extracurriculares que fiz durante a vida. Foi assim durante a faculdade. E foi assim quando voltei a me interessar por fotografia. O ponto aqui sempre vai ser: o quanto eu me interesso por isso? Que é o que muitas vezes me faz sentir culpada pelas coisas que eu deveria me interessar, mas não dou a mínima. Mas não quero falar nesse post sobre eventuais pesos-na-consciência-por-ter-me-afastado-da-arquitetura-depois-de-cinco-longos-anos-de-estudo, e sim do orgulhinho que sinto quanto penso na minha evolução como fotógrafa. Apesar das críticas duras que eu faço sobre mim mesma e em relação ao meu trabalho, cada dia eu fico um pouquinho melhor em ver todo o lado bom dele. Ainda mais com os elogios que recebo de amigos e pessoas conhecidas, de clientes realmente satisfeitos, de pessoas que me pedem ajuda e falam que me vêem como referência. Dois anos atrás -quando comecei a fotografar- jamais imaginaria algo assim. Nem dez ou vinte anos atrás, quando a Karine de sete anos aprendia um pouco sobre moda enquanto observava sua mãe estudando. E isso só me faz pensar o quanto a vida pode ser muito louca, né? Espero seguir sendo 'boa em aprender' pelos próximos anos que me restam (só que menos preguiçosa, de preferência). Vai saber o que ainda pode aparecer pelo meu caminho? O futuro é tão difícil de prever/ver quanto eu nessa foto desfocada que o namorado tirou (mas que eu gostei bastante).

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Esse post faz parte de um novo projeto que estou participando com as migas dos blogs Sabe o Inverno?, Claudia Mesmo, Leuxclair, Outro Blog, We Want, Nosso Relicário & Follow Cíntia. Ele se chama DAY BY DAY e a ideia é falarmos sobre coisas pessoais e do cotidiano, e juntarmos com fotografias, cada mês terá um tema diferente. O primeiro tema foi esse, 'melhor de mim', e como não sei falar bem sobre mim (só sobre coisas que gosto: meus gatos, viagens e fotografia) fiz esse textão enorme com lembranças de infância que -de alguma forma- fizeram eu me tornar quem sou hoje e estar aqui agora, escrevendo tudo isso nesse blog. As fotos que aparecem aí são do meu último rolo revelado e fotografado com a Pentax K1000, em breve teremos um post mostrando todas as fotos dessa minha última aventura analógica, que é uma das minhas maiores obsessões no momento (apesar de todas as frustrações, risosrisos).

BEIJOS
© coffee & flowers POR KARINE BRITTO