simplicidade para aprender

7.9.17

Ou, um pouco sobre processos fotográficos. Falei no último post sobre a saga pra conseguir entrar nesse curso, então pensei que seria legal falar um pouquinho sobre ele por aqui. Comecei a estudar fotografia (por conta própria) em 2014, passei 2015 inteiro fotografando amigas para pegar prática e só em 2016 eu comecei de fato a trabalhar com isso. Me inscrevi nesse curso sabendo que eu veria muita coisa que já sabia, mas isso não me fez perder o interesse por ele. Afinal, conhecimento é conhecimento, né? Por mais que eu saiba fotografar e saiba muito do que eu gosto ou não gosto quando se trata de fotos, eu tô longe de saber tudo. E foi com essa cabeça que eu fui para o meu primeiro dia de aula, o primeiro de um ano e meio. Uma coisa que aprendi durante todo esse tempo fotografando, é que dominar a câmera no modo manual é o menor dos meus problemas. Quando se trata de fotografar pessoas, saber -ou não- direcioná-las para o que você quer, tem muito mais importância do que uma fotometria perfeita. Depois disso, ter criatividade para criar composições novas -ou releituras de coisas que você já viu- é outro ponto muito importante. Ou seu trabalho pode acabar se tornando apenas mais do mesmo. E se você reparar na quantidade de fotógrafos que existem por m², isso não parece muito interessante.

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x FOTO DO @MAGOMESLIMA x

E aí, voltamos para a história do curso novamente. Dois exercícios feitos nas últimas aulas me fizeram repensar isso de 'processo criativo'. Em um deles, o professor pediu para que saíssemos pela etec procurando formas e texturas. Algo bem bobo e simples, né? Ficamos alguns minutos caminhando pelo prédio e fotografando com o celular, uma das fotos que fiz foi das bolinhas no guarda-corpo da escada. Mais tarde, na aula de Práticas Fotográficas com outro professor, o desafio era fazer retratos em P&B. Fiz minhas fotos, apresentei no final da aula e só quando cheguei em casa e fui descarregar as fotos, reparei no elemento que estava presente ali: as bolinhas do guarda-corpo da escada. Mesmo sem perceber, o exercício do começo do dia 'salvou' aquele elemento no meu cérebro. Criar um retrato aproveitando a luz passando pelas bolinhas foi algo natural pra mim, não pensei muito pra fazer aquilo. Eu só olhei e vi. Vi que a luz ficaria boa para um retrato, pedi que a minha 'modelo' sentasse na escada e fui testando ângulos até chegar em uma foto que eu gostasse.
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Em outra aula, o tema era light painting. Aquela técnica com luz que todo mundo ama pra desenhar corações, estrelas e anjinhos nas fotos. Estávamos em uma sala/estúdio improvisada com as luzes apagadas, colocamos a câmera no tripé e começamos a criar algumas coisas. Uma pessoa dava uma ideia, outra iluminava com a lanterna e outra ficava na câmera, fazendo as fotos com longa exposição. Entre algumas ideias legais e outras bem óbvias, tudo que eu pensava para fazermos ficava dentro do tema sombrio/terror. Passei a aula toda dando ideias meio bizarras para serem criadas e não fazia ideia de onde tudo isso estava vindo, porque eu sou uma pessoa que nem filme de terror assiste (medo, haha). Aí, cheguei em casa e fui dar uma olhada nas anotações que eu tinha feito, vi o nome de Francesca Woodman ali, falado durante alguma aula por algum professor. Lembrei que no dia anterior eu havia passado horas lendo sobre sua história e conhecendo um pouco de seu trabalho, então ficou meio óbvio pra mim o 'motivo' das fotos sombrias. Apesar da iluminação diferente da que Francesca usava em suas fotos (que em sua maioria eram autorretratos), a longa exposição que estávamos fazendo ali -criando coisas meio fantasmagóricas-, segue completamente o estilo seu estilo fotográfico: cheio de movimentos e borrões.

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Mesmo que essas fotos sejam bem diferentes das que eu gosto de fazer, foi interessante ter essa experiência e analisar como essas referências ficaram na minha cabeça. E é aí que entra a simplicidade para aprender. A gente passa a entender um pouquinho como as coisas acontecem, porque acontecem. A criatividade não surge do nada, ninguém cria 'do nada', mesmo que ideias possam aparecer em momentos inesperados. Ela parte de detalhes que você repara no cotidiano (os fotografando ou não), de trabalhos que você analisa, de textos, filmes, séries, cores... Está tudo ali, mas não existe fórmula mágica, é preciso se estimular. Com recortes, desenhos, pinturas, treinando o olhar ou tentando algo novo. Cada um vai encontrar a forma que é melhor pra si. Mas uma coisa é fato: não é porque você já conhece uma técnica ou sabe como fazer algo, que deve ficar parado. Sempre há algo novo para aprender, especialmente no mundo da criatividade em que nada é exato, onde um erro pode virar arte. É como aquela frase do fotógrafo Ernst Haas: "A câmera não faz diferença nenhuma. Todas elas gravam o que você está vendo. Mas você precisa ver"

BEIJOS
© coffee & flowers POR KARINE BRITTO